Empregos dos óleos essenciais

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Óleos Essenciais

Vias de Metabolismo

       Quando o óleo essencial penetra no corpo, seja por ingestão, inalação ou absorção pela pele, ele está sujeito a sofrer uma série de processos que podem modificar toda sua forma de atuar dentro de um organismo.
       Alguns óleos quando penetram dentro do corpo, principalmente quando ingeridos, são degradados e modificados por uma série de enzimas existentes no fígado. Como exemplo podemos citar o aldeído cinâmico, presente no óleo de casca de canela (Cinnamomum zeylanicum) que é oxidado e reduzido a ácido cinâmico, e acaba sendo eliminado em sua maior parte pela urina. Estes processos de transformação variam de acordo com a espécie animal e podemos citar o exemplo da cânfora que é oxidada e reduzida a borneol pela ação de enzimas do fígado de cachorros e coelhos. O mesmo não se dá em humanos segundo algumas observações.
       Muitos óleos interferem nos processos de metabolismo natural do corpo como o wintergreen (Gaultheria procumbens) que deve ser evitado por hemofílicos e pessoas com carência de vitamina K, pois interfere na síntese desta importante vitamina pelo fígado, que é um importante fator determinante da taxa de coagulação do sangue.
       O tempo médio que um óleo permanece agindo no corpo é de 24 a 120 horas, sendo que logo após 2 horas de ingestão já vai se observando um decréscimo em sua presença. Este tempo de permanência é determinado pelos compostos que compõe o óleo essencial. Podemos citar como exemplos o d-limoneno que permanece no corpo por aproximadamente 72 horas sendo eliminado quase totalmente na urina já metabolizado ( destes, 7% são nas fezes e de forma inalterada) e o acetato de benzila, um éster que é eliminado pela urina junto a outros dejetos de seu metabolismo após 24 horas. A importância de se conhecer este tempo médio é que em se tratando de processos intoxicativos, você tem condições de medir o tempo de reação do corpo para saber quais a medidas tomar.
       O principal órgão de excreção de óleos essenciais são os rins, mas notaremos uma considerável parcela sendo eliminada pela pele, pulmões e fezes.
       Existem determinadas enzimas presentes no corpo, principalmente no fígado e próximo à pele que podem vir a decompor certos compostos presentes nos óleos essenciais em substâncias tóxicas e às vezes carcinogênicas. Temos o exemplo da enzima citocromo P450 que exerce importante influência na desintoxicação do corpo junto a materiais tóxicos como pesticidas, mas pode decompor certas substâncias como o safrol presente no óleo de canela de sassafras e o estragol presente no óleo de manjericão (QT estragol) em potenciais carcinogênicos (causadores de câncer).Mas nem todas as degradações do citocromo P450 são prejudiciais.
       De todas as formas de uso, a que oferece menos riscos de intoxicação é a inalação. Também, conforme o óleo utilizado, pode ser o única maneira de emprego recomendada, haja visto que se o óleo for empregado pela pele ou ingerido pode ser degradado rapidamente por enzimas existentes no estômago ou na pele, antes que consiga ter qualquer efeito sobre corpo. Isso dependerá muito de cada óleo.


Testes de toxidade

       Entre alguns dos testes de toxidade existentes contamos com o DL50% dermal e oral e os testes de reação fototóxica da pele.
       O DL50% (Dose letal) é feito pela administração via oral de determinado óleo essencial a um certo animal (rato, coelho, etc) onde se verifica qual a dosagem necessária para se atingir um grau de 50% de mortalidade entre as cobaias empregadas na experiência. Também é feito o teste de forma dermal, onde se analisa as reações de absorção ao óleo. Não somos adeptos e não realizamos estes testes em animais por os considerarmos altamente agressivos aos mesmos. Porém, você poderá ver o DL50% em nossas página sobre análise dos óleos e que foram obtidos de literaturas e pesquisas antigas. Estes testes em animais vêem diminuindo gradativamente, isso devido a já se ter dados suficientes de muitos óleos e seus componentes, como já existirem alternativas que permitem substituição. Também uma maior conscientização por parte das pessoas têm causado muitas mudanças neste sentido. A maioria destes testes foi realizada por laboratórios de grandes indústrias farmacêuticas ou de flavorizantes. Se quiser conhecer um de nossos trabalhos de apoio ecológico contra as crueldades feitas com ursos na China, visite nossa página sobre ecologia em http://www.filhosdosol.isonfire.com

      Entre as reações a óleos essenciais existentes contamos com as seguintes:

Fototoxidade

       Reação da pele a determinados compostos como as furanocumarinas que podem causar queimaduras de pele, manchas escuras e até câncer. Dentre os óleos que possuem estes compostos podemos citar os cítricos como o limão, bergamota, lima, grapefruit e laranja, tagetes, cominho, verbena, raiz de angélica, arruda e opopanax.
       Ao passar o óleo de bergamota puro sobre a pele e deixá-la exposta aos raios ultra-violeta do sol, é possível ver-se o surgimento de manchas no local, atestando sua fototoxidade. O princípio ativo aqui, no caso da bergamota, é o bergapteno. Já existem óleos livres de furanocumarinas como a bergamota LFC e que não causam estas reações. No caso de tais reações ocorrerem, recomendamos passar sobre o local, em caso de manchas, óleo de hortelã pimenta, pois acelera o processo de recuperação da cor da pele no local. Nos casos de queimaduras e ardência, recomenda-se o uso da lavanda, ho wood, ou do pau rosa.
       Contanto, apesar de tais reações serem possíveis de ocorrer, não há motivos para se preocupar se após uma massagem com esses óleos o paciente ao sair da sala se expor aos raios solares na rua, isto por tais óleos não serem empregados puros sobre a pele e sim diluídos e pelo fato da roupa servir de proteção contra os raios solares na área.

Irritação e reações alérgicas

       Reações alérgicas e irritações são possíveis de ocorrer e variarão de acordo com o indivíduo e com os compostos presentes no óleo. No momento podemos dizer que em geral compostos como os aldeídos tendem a ser todos causadores de irritação e queimadura sobre a pele, um exemplo seria o aldeído cinâmico presente na casca da canela.
       Em caso de queimaduras, podem-se empregar os óleos de lavanda, ho wood ou pau rosa puros sobre o local (em caso de pequenas áreas) ou diluídos em óleo carreador a 10 - 50%. Acrescentar-se uns 5% de wintergreen à mistura também contribui para abrandar a sensação de ardência, assim como utilizar camomila alemã ou romana e pequenas gotas de Hortelã pimenta.

Envenenamentos

       Envenenamentos são raros de acontecer, mas existem casos registrados com os óleos de eucalipto, cânfora, poejo (pennyroyal), wintergreen, noz moscada, entre outros. Como os vidros de óleos essenciais costumam ser vendidos com gotejador, isto acaba diminuindo os problemas de intoxicação por crianças pois o volume ingerido de uma vez vem a ser pequeno. Mas ainda assim é importante atenção pois óleos com alta toxidade, podem ocasionar com pequenas doses sérios danos à saúde e levar até à morte como é o caso do óleo de erva-de-santa-maria que com apenas 2 conta-gotas pode matar uma criança de três anos de idade.
       Em caso de intoxicação por ingestão recomenda-se tomar bastante água, suco de frutas não cítricas como o mamão, leite e conforme a quantidade ingerida procurar um médico. Intoxicações por inalação são menos freqüentes e normalmente ocorrem mais em fábricas e destilarias de óleos, as recomendações são de retirar a pessoa levando-a para local ventilado e procurar rapidamente ajuda médica.

Reduzindo riscos

Para reduzir riscos com a intoxicação junto a óleos essenciais, listamos o seguinte:

  • Não faça uso de óleos essenciais via oral sem a devida orientação de um aromaterapeuta especializado na área.
  • Evite o uso de óleos que possuem furanocumarinas em sua composição química (vide lista acima) sobre a pele em locais de grande exposição ao sol, quando empregar tais óleos, faça com eles bem diluídos (0.50 a 2%).
  • Evite durante a gravidez óleos com alto teor de toxidade, pois pode causar problemas ao feto e até levar ao aborto.
  • Evite deixar em locais de fácil acesso a crianças óleos essenciais, pois são um atrativo devido à cor do vidro e formato.

    Contra-indicações

           Citamos aqui algumas contra-indicações existentes para alguns óleos que são importantes de serem observadas. Como não foram listados todos os óleos, recomendamos nos casos citados abaixo, evitar-se o uso de óleos que possuam composição química semelhante e que pode ser conhecida em nosso setor de análise química online. Tais contra-indicações são mais voltadas para o uso oral, mas em situações mais delicadas como gravidez ou epilepsia, tais óleos devem ser evitados sob qualquer forma de uso.

  • Gravidez

           Evitar os óleos de cânfora, tuia, salvia, salvia esclaréia, funcho, erva-doce, anis estrelado, dill (endro), wintergreen, bétula.

  • Distúrbios do fígado

           Evitar os óleos de casca de canela, cássia, funcho, erva-doce, anis estrelado, cravo, pennyroyal, buchu, sassafrás, savin e óleos ricos em furanocumarinas.

  • Distúrbios renais

            Evitar os óleos de limão, bergamota, salsa, wintergreen, bétula.

  • Pressão alta

           Evitar óleos que contenham cânfora.

  • Pressão baixa

           Evitar os óleos de alho, cebola, lavanda, pau rosa, palma rosa, eucalipto globulus.

  • Epilepsia

           Evitar os óleos de cânfora, alecrim da horta.

  • Hemofilia, distúrbios na coagulação do sangue

           Evitar os óleos de wintergreen, bétula doce.

  • Glaucoma e hiperplasia prostática

           Evitar óleos de citronela, capim cidreira, capim limão.

  • Depressão

           Evitar os óleos de lavanda, pau rosa, ho wood, melissa, valeriana, rosa.


    Efeitos psicotrópicos

          Existem óleos com propriedades psicotrópicas já estudadas e que devem ser empregados com cautela quando feito seu uso via oral. Como exemplo temos a noz moscada que possui dois químicos de potencial alucinogênico quando ingerido em doses altas (acima de 1,5 ml), miristicina e elemicina. Ambos quando presentes dentro do corpo são convertidos em anfetaminas (MMDA = 3-metoxi-4,5-metilenedioxiamfetamina e TMA = 3,4,5-trimetoxianfetamina), que possuem efeitos sobre os níveis de seratonina no cérebro, o que faz tal óleo ser útil em casos de depressão, mas pode em altas doses ter efeito semelhante a uma perigosa droga hoje em moda, o extase, já que o MMDA é um ancestral químico destra droga.

           Já se produziu óleo da maconha no passado, mas hoje em dia raramente se encontra devido seu efeito psicotrópico por possuir tetrahidrocanabinois. O óleo de tuia e hissopo também apresentam efeitos alucinogênicos se usados internamente em altas dosagens. Outros exemplos seriam os óleos de boldo do chile, erva-de-santa-maria e abisinto, todos banidos da Inglaterra e França por sua toxidade.

    Para saber mais sobre a análise química dos óleos visite nossa página a respeito.


    Ao lado, vídeo dando exemplo do processo de eliminação de urina com compostos tóxicos pelos rins. À medida que as toxinas são eliminadas pelos rins observa-se sua estocagem na bexiga para posterior eliminação. Visualizado por computador.

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